segunda-feira, novembro 10, 2008

e o meu coração se deixou levar

Na minha cidade tem um lago. Construído pelo homem, não um lago natural. Ele é fundamental para a minha cidade, que vive (literalmente) em torno do lago. A casa da minha mãe fica no lago. E desde pequena que eu passo pela ponte para ir para a escola, para ir trabalhar.

Eu me acostumei a entender o lago da minha cidade. Quando está frio, sai fumaça dele de manhã cedinho. Quando a seca é muito braba, ele recua, encolhe e as margens ficam áridas. Meu pai me disse que ele nunca viu o lago tão recuado quanto este ano. E eu fiquei com pena.

Há quase dois anos eu mudei de cidade e agora na cidade onde eu moro tem um rio. Esses acasos da vida, eu de novo moro perto da ponte e vivo cruzando para lá e para cá, sempre olhando as águas lá embaixo. E, sabe?, eu gosto das águas desse rio.

Desde a primeira vez que eu parei para reparar, vi como era diferente. A água que passa no rio corre. Vai determinada num sentido. E o mal-humorado sol de outono que incide sobre a cidade, resultado dos sei lá quantos graus de inclinação terrestre, parece gostar das águas do rio tanto quanto eu. Ele acaricia as águas do rio, evidenciando o crespo das ondas com seu jogo de luz e sombra, como se quisesse gritar para mim essa água viva, que move, que corre, a água de um rio. E eu não me canso de olhar.

Mas dentro de mim não é o sol, é uma calma, é uma água de espelho do céu azul, que me diz sempre do lago para onde eu um dia vou voltar.

11 comentários:

Felipe Campbell disse...

Eu amo água. Aqui, lá e em todo o lugar. Traz paz e sensação de bom clima, sei lá. aí, então, dá pra imaginar mil coisas que já passaram por cima dessas pontes ao longo dos séculos. Mó viagem!

Deve ser fera queimar uns e ficar vendo a banda passar de cima da ponte...

Beijocas

Dante Accioly disse...

Pois venha!!!!!

Gigi disse...

Que lindo, Carol, adorei seu texto!
Eu agora moro perto do mar, coisa que eu sempre quis (como boa parte dos brasilienses que tem que esperar o verão e viajar longas horas até chegar na praia mais próxima).
Eu acho que, de certa forma, o mar é um substituto de horizonte que temos em Brasília, se é que vc me entende. A gente não enxerga lá longe, mas entende que tem todo um mundo para além do lugar em que estamos...
bjos,
Gi

Denise e Zé Guilherme disse...

putz, ficou bonito isso.

Marisa Muros disse...

Bonito!

Pri disse...

Que lindo, amiga! Olha, o seu lago aqui já já vai estar bem cheinho de novo. Voltou a chover que é uma beleza... Beijo!

Leandro Wirz disse...

Para quem acha poesia um saco, este seu texto está bem poético...
e muito bom.
Deixe se levar mais vezes pelas águas.

Anônimo disse...

A foto e o texto ficaram lindos!
Agora me diz...
Quando é o dia que vc vai voltar?
Bjo!
Ju

Marco disse...

você precisa experimentar os efeitos de um banho de mar num dia qualquer durante o ano. pra mim é revigorante, sabe. aqui no rio é assim. sinto-me mais ou menos e vou à praia e o mar leva tudo embora. não que eu more perto da praia, quem me dera!, mas nada que um ônibus e um pouco de paciência não resolva. e mesmo com tudo isso eu não vejo a hora de partir... e é o mar que me diz das terras que um dia meu corpo ocupará.

(desculpa pela divagação no blog alheio... hehehe)

Anônimo disse...

é: quando é o dia que vc vai voltar? a vida do lago não é igual sem você!!! :) beijão sá.

déborah disse...

credo
quase chorei! :(