quinta-feira, junho 18, 2009

Manifesto contra a chantagem emocional

É incrível a naturalidade com que tantos recorrem a esta prática, como se fosse nada, como se fosse normal ou certo extorquir uma criança para conseguir sua atenção. Me faz querer empenhar uma campanha com pretensões mundiais pela abolição da chantagem emocional a que nos submeteram, e a que hoje submetem nossos pequenos assim, debaixo dos nossos narizes. Proponho incluir na declaração dos direitos da criança um montão de cláusulas proibindo essas manobras malignas dos adultos que pretendem se fazer ouvir, ou ganhar um carinho, ou ser obedecidos, oferecendo em troca a ameaça infame de faltar com o amor.

Fica proibido dizer: “se você não fizer, titia vai ficar triste”. Fica proscrita a ameaça: “pára de chorar senão a mamãe vai embora”. Fica abolido o lamento pegajoso: “é assim que você faz, né?, depois de tudo o que eu fiz por você”.

Tudo o que a chantagem emocional consegue é criar um adulto necessitado do outro para se chancelar. Que vai sempre se desdobrar para não magoar, não chatear, não decepcionar.

Fica decretado que toda criança tem o direito de crescer ouvindo bem o contrário: que a mamãe não vai embora, não, filho. Nunca. O que não impede você de se comportar assim mesmo – que se a gente se entende, a gente se diverte muito mais. E sem cicatrizes na alma.

9 comentários:

luciana disse...

os adultos deveriam entender que crianças não são estupidas. que entendem um "não", que lembram das promessas, que se ferem...

e fora a coisa que mais ODEIO: "não faz isso, senão o monstro pega". monstro? humpf, eu sei bem quem é o monstro...

Mari disse...

Ah, eu assino embaixo! Adorei! :) Beijao Carol!

Anônimo disse...

Achei meio pesado, ninguem diz essas coisas com a ideia de errar... eu sou completamente a favor do nao a chantagem emocional...mas entendo que pais cometem erros sem perceber as consequencias...

Paulinho

depois_eu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mariana disse...

Onde é que eu assino e quando é a passeata????
tudo de bom carol!!!

Eduardo Leite disse...

O não é tão importante como o sim.Saber usa-los para estabelecer limites é que é o X da questão. Mas a melhor maneira de entender e ensinar a uma criança é ser cada vez mais criança e cada vez menos adulto...Sem te conhecer e, por isso, um forte abraço aí, em você.

Nilson disse...

Eu nunca tinha associado essas atitudes dos pais ao comportamento dos filhos quando adultos, mas faz muito sentido mesmo, foi uma visão muito boa da realidade.
abração

Felipe Martins disse...

Não pode mimar criança não .Tem que dizer não, recusar dar presente, negar coisas que ela não pode ter (ou não deve) na hora, sem constrangimento. E não devemos, também, ceder a chantagens emocionais deles, que choram para ter o que não têm. Mais tarde, eles (e vc) verão como isso fará bem a eles.

FULANA E SICRANA disse...

Todas as regras quanto a criação de filhos devem ser descartadas. Eles não vem com manual e cada um tem um comportamento e o seu tempo. Nós como pais vamos tentando acertar. Mas nada disso é garantia de nada. Acho que o principal é dar muito amor, ser presente, dar segurança, ensinar a ser do bem. Dá trabalho, mas é gostoso. E todos nós esperamos no futuro ve-los como homens e mulheres de verdade. Bjs, Sicrana