quarta-feira, julho 07, 2010

A brick in the wall

É bem normal quando o bebê chega, aquele bebê rosinha, perfeito, cinco dedos em uma mão, cinco dedos na outra, um sorriso bobo de prazer no meio do sono que os pais interpretam logo como “felicidade”, “paz” etc, a gente extravasar todo nosso narcisismo sem perceber.

Ficamos ali, elogiando todos os nossos genes que funcionam perfeitamente bem, nossos óvulos bem fecundados por espermatozóides ágeis e saudáveis, toda nossa boa saúde, nossa bem-sucedida vida de casal que deu frutos, veja como é lindo, veja que perfeição – é de nós mesmos que estamos falando.

E quando a criança começa a andar com as próprias pernas, então, quando começa a falar, a reagir ao mundo ao redor, aí mesmo é que não nos cabemos em nós – veja só como evoluem os nossos genes. Que inteligentes meus cromossomos X que escrevem com cinco anos, que incríveis os cromossomos Y do meu marido, que aos quatro andam de bicicleta sem rodinha.

E os pequenos, coitados, são os macaquinhos amestrados de um circo armado para o auto-elogio.

Hey, teacher: leave the kids alone.

5 comentários:

Amanda disse...

E tem outra razão para termos filhos?

Tania regina Contreiras disse...

Nossa, a pura verdade! Alguém escapa disso?
Abraços

Bella Soares disse...

E a tia Bella se orgulha até das gerações que ainda virão. São super elogiáveis e elogiados. Lindos. Se é auto-elogio ou não, o que importa é que é merecido. Ô se é! E antes que eu me esqueça. Só eu: viva o macaron! Beijo com saudade.

Leandro Wirz disse...

Filhos podem ser uma vã tentativa de perpetuação. Ou uma ediçao revista e atualizada de nós mesmos. Lúcido com uma pitada amarga o seu ótimo texto. Estava com saudade de te ler. Foto maravilhosa. Beijo!

Mel disse...

Ai, mas oq ue fazer qdo do óvulo bem fecundo sai a coisa mais linda da terra, linda loira de olhinhos azuis, bochechas rosadas e que ainda escreve mamãe de amo! Ai que alimento bom prá alma...