sexta-feira, agosto 05, 2011

Disclaimer



Estrangeiro que se preza gosta de pegar no pé dos nacionais dos países de adoção. É o estranhamento natural e saudável que justifica e enriquece toda troca cultural.

Passei os quatro anos e meio de experiência parisiense exercendo meu sacrossanto direito, até como forma de auto-proteção. Tenho amigos franceses que já suspiram um "vai começar" na minha menor observação (nem sempre maldosa) sobre o modo de vida deles.

Mas isso tem sido cada vez mais raro. Não o estranhamento, mas a necessidade de remarcá-lo. Óbvio: os entreveros cotidianos perdem o objeto diante da iminência da volta.

O chéri me emprestou um livro ótimo, que eu estou devorando, escrito por um inglês que ressalta com um humor afiado todas as agruras de adaptação que os franceses impõem a quem quer que ouse compartilhar com eles, a longo prazo, a vista do por-do-sol no Sena.

É uma seleção das melhores franco-alfinetadas da vida. Que não evocam mais em mim o mais longíquo revanchismo. A cada frase que leio, anoto mentalmente um "gente, coitados, não é tanto assim".

Eu estou insuportavelmente indulgente com os franceses. E perseguidora dos defeitos brasileiros na exata mesma proporção.

É por isso que isso é um disclaimer. Ufanistas, abster-se de mim por uns tempos. Até eu me acostumar com a ideia de deixar Paris.

11 comentários:

Chéri disse...

Legal que você esteja curtindo o livro. E vamos preparando a volta! :)

Beijocas

Mariana disse...

Paris não sera a mesma sem esse croissant!!!

Anônimo disse...

Já encontrou defeitos nos brasilienses, então prepare-se.

Miss G. disse...

Ai Carol...
estou experimentando exatamente essa mesma situação com Roma e os romanos. Ultimamente, a idéia de não mais fazer parte deste lugar deixou de ser um incômodo e passou pra categoria de monstro interno. Se vc achar o são jorge que mate este dragão vc me avisa?

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

A cada vez que leio seus textos parece que vc fala da minha experiência...Fico encantada com os seus textos sempre. Li esse livro também, mas numa fase em eu dizia: "ra! exatamente assim! Povo bizarro...". Nos nossos cafés aqui no lab tenho que controlar essa minha ainda presente (embora decrescente) necessidade de remarcar o "modo de funcionamento" francês. Bem, mas visto que nos restam 4 meses por aqui, essa "indulgencia" (crescente) começa a me habitar...Como somos estranhos né...;-) Beijos e muito obrigada pelos seus textos. Emiliana

Anônimo disse...

Je ne peux pas croire que vous laissez!!!

Carol Nogueira disse...

Dani, li numa sentada. Muito divertido mesmo. :o)
Mariana, Paris sempre será linda assim, um convite pra gente falar dela. :o) Aliás, eu não pretendo parar tão cedo de falar dela.
Gábi, fuerza daí que eu seguro as pontas daqui. Bora pelo menos tomar uma no Beira pra matar as saudades (o lado bom!).
Emiliana, e a gente que nunca se conheceu, né? Precisamos consertar isso nesses quatro meses que faltam.
Anônimos, beijos. Spam, me esquece. :o)

Anônimo disse...

Seria um enorme prazer Carol! Quem sabe um dia a gente combina um dia de parque no jd de Luxemburgo, assim as crianças se conhecem tb e a gente "papota" ;-)...bjs. Emiliana

Anônimo disse...

Se for A Year in The Merde, eu li. É muito bom! Sensacional. Ainda mais para quem conhece bem os franceses, ops, parisienses. Rs. Ricardo

Anônimo disse...

Qual é seu e-mail? Gostaria de pedir as dicas que você disse que tem para mandar por "correio eletrônico" Já morei em Paris, voltei algumas vezes depois, mas não coloco os pés na cidade luz desde 2007, por absoluta falta de tempo. Em novembro agora voltarei, apenas por 4 dias, sei que é pouco, mas foi o que consegui. Rs.