domingo, maio 27, 2007

Vou te levar comigo

Os amigos nos convidam pra um passeio, uma festa ou um show ao ar livre. A gente pergunta: dá pra levar os bebês? É assim a nossa vida. Queremos, sim, sair, conhecer os lugares, passear. Mas achamos sempre meio estranho deixar nossos pequenos pra trás. Não é questão de necessidade, ou de obrigação. É prazer mesmo. Sabe aquela imagem clássica da mãe do Calvin indo jantar com o super-coxinha pai do Calvin, deixando o pequeno filósofo e seu tigre Haroldo por conta de uma estudante de seus 19 anos? Não combina muito com a gente. Uma babá pros momentos de necessidade vá-lá, mas como assim?, pagar alguém para cuidar deles enquanto a gente se diverte? A gente quer é se divertir com eles. Passeios a pé, piqueniques, uma voltinha no shopping, visitas parceladas aos museus e às livrarias – e eles lá, na mochilinha. Uma cerveja em pé no barzinho com o Pepê sentado no balcão, um chocolate quente com cuidado pra não queimar a cabeça do João e, com um pouco de ousadia, até uma one-day-trip pro país vizinho. Dar papinha na mesa de um pub, trocar fraldas no banco apertado da estação de trem – uma aventura atrás da outra, diversão garantida. Pra gente, pelo menos. Porque o problema desse nosso lifestyle são os outros – que nem sempre acham graça em ter a companhia de bebês em lugares insólitos. Bebês são bebês: quando eles têm sono, ou fome, ou quando simplesmente estão de saco cheio e querem voltar pra casa, os bebês... choram. E os outros, que não têm nada a ver com eles, também não têm nada a ver com o escândalo deles. Eu fico chateada, mas ouço calada as manifestações ostensivas de irritação que nos acompanham pela estrada afora. E fico depois pensando quem será que tem razão – se os outros são mesmo uns mal-humorados incapazes de compreender com solidariedade quinze minutinhos de choro histérico, ou se sou eu que me porto como uma adolescente frustrada, que ainda não caiu a ficha no papel de mãe. Prova que meu dilema é universal é que hoje existem em todo canto cafés e até boates especializadas em eventinhos para famílias com bebês se divertirem com eles ao lado. Mas isso me soa meio como um gueto onde querem nos isolar com nossos pequenos escandalosos. Por minha conta, eu preferia mesmo era estar no meio do mundo, junto com as pessoas normais.
Ah, vai... Deixa a gente levar os bebês?

14 comentários:

Eva Jucá disse...

Oi Carol. Parabéns pelos posts aí de Paris. Realmente só quem mora no exterior consegue entender perfeitamente o que vc está falando! Sabe, aqui no Canadá acho que eles são um pouco mais flexíveis. Acho que o europeu é um pouco mais "velho" e menos tolerante com crianças do que o Canadense( mas super tolerantes com cachorros). Eles aqui estimulam mesmo os casais a ter mais e mais filhos, e acaba que vc vê criança em tudo qto é lugar. Eu assim como vc adoro passear com os meus filhos, e acaba que eles vão a todos os lugares conosco. O que vc percebe, é que a medida que eles vão crescendo, por já estarem acostumados a ir a todos os lugares, eles aprendem a se comportar muito bem, e aí é pura diversão. Curta muito seus filhos e essa idade deles, pois morar fora e poder curtir essa fase dos filhos é uma oportunidade única, e que no Brasil infelizmente a gente não faz tanto qto aqui. Dá trabalho, mas é uma época que não volta mais, e passa rápido.
Bjs
Eva

Anônimo disse...

vem pra cá, mana: eu 'deixo' vc levar os meninos pra qualquer lugar, e ainda ajudo! :) te amo, saudade. sá.

Flavinha disse...

Oi.
Eu e o Chico também levamos o nosso João para todo lado. Para vc ter uma idéia: ele foi com a gente para Europa no ano passado e vai repetir a dose este ano. Ele é o nosso companheiro de viagem.
Passeio sem ele não tem a mínima graça.
Beijos

Carolina Jardon disse...

Aiiiiiiiiiii eu vou ser assim, desse jeitinho, com meus futuros pimpolhos. Vcs estão certíssimos! Beijocas com saudades. Ano que vem, em setembro, estarei aí.

Kia disse...

Leve sempre seus filhotes com vcs..
Não se incomode com cara feia de pessoas pouco amadas....
Porque te garanto que quando eles crescerem(e é muito rápido) irão levar vcs pro chopinho tbém...
Foi este o acordo que fiz aqui em casa.
Beijos

Anônimo disse...

Eu deixo!!!
E ainda troco fralda, dou potinho, e tudo o que eles quiserem...
Quem reclamar do choro apanha!
Bjo, mana!
Ju

Felipe Campbell disse...

Eu não quero levar meus filhos quando for por ai.

Anônimo disse...

Amiga,
Não leve os meninos ao cinema não, tá? Eu tive uma experiência traumática no último domingo, vendo um filme ao som de ués e bués e quase cometi um babycídio no cinema. Vamos combinar que só a mãe do pimpolho se divertiu. O pequeno não achou a menor graça no passeio. Nem eu.

Beijoca,
Pepê

Sergio e Marilena disse...

Olá Carol,

Acabei de encontrar o seu blog e adorei. Me identifiquei muito porque levo os meus filhos a todos os lugares também. Acho que sem eles não tem a menor graça. Eles só ficam na casa dos avós quando vou fazer alguma coisa que considero muito chata pra eles como ir ao banco por exemplo.
O legal é que eles estão tão acostumados a passeios "exóticos" que não dão trabalho em lugar nenhum: dormem em qualquer lugar, se divertem com qualquer coisa e eu não deixo de ir em lugar nenhum por causa deles.

Um abraço,

Marilena

Carla disse...

Amiga,
também não acho muita graça quando saio sem o meu pequeno.
Faça cara de paisagem para os outros e continue saindo com seus filhotes.
Um beijão, Carlinha

carol cambiaghi disse...

Carolzinha,
Você sabe da admiração que tenho por você! Agora, lendo os seus artigos do blog fico simplesmente encantada com a pessoa linda e sensível que você é! Não é sempre que encontramos pessoas tão bacanas e tão profundas quanto você! Estou muito feliz em saber que tudo está caminhando bem com vocês e os bebês aí em Paris. Todos os dias entro no blog para ler os seus textos, que são maravilhosos...Consumo o le-croissant sempre bem quentinho e sempre é uma delícia! Vê se me escreve, estou com saudades suas!!! Beijão,
Carol Cambiaghi
ana.cambiaghi@camara.gov.br

Maria Rita disse...

Morei um ano em Paris, com um moleque de quatro anos e outro de dois. Fomos a restaurantes, museus, cafés, etc, etc... Só em cinema e teatro (para adultos) que a gente não levava os pequenos (fazíamos um revezamento de quem ficava em casa com eles). Aqui, em São Paulo, também tem sido assim. Agora eles são adolescentes - E CONTINUAM SAINDO COM A GENTE, EBA! Mas também saem com a turma deles, lógico... Portanto, continuem assim!
Rita

Carol Nogueira disse...

Oi, Rita, oi, Marilena! Oi, todo mundo!
É super legal receber novas visitantes! Sejam bem-vindas! Eu ando meio ocupada com os meninos e nem sempre atualizo o blog, ou respondo os comentários. Mas eu fico super feliz SEMPRE de ler tudo o que vocês escrevem.
Pois é, nem sempre é fácil levar os meninos... E eu sei que nem sempre é divertido pra quem está do lado de láááá (né, Pepê?). Mas eu acho essa convivência super gostosa e saudável.
Beijos pra todos.

.JoãoGui. disse...

Você escreve com uma precisão e um timing encantadores.
Parabéns mesmo, e continue escrevendo sobre sua vida parisiense.
Estou indo morar / estudar em Paris em Novembro e logo logo escreverei minhas impressões, sensações, desventuras e cia. num blog também.

à bientôt!