quarta-feira, junho 18, 2008

Consciência ecológica, uma pinóia

Eu lavo minha alma dando papel branco pros meninos desenharem. Branco, branquinho dos dois lados, sem um relatório velho no verso, sem uma linhazinha de pauta. Um luxo para quem sempre foi obrigada a desenhar em papel-rascunho trazido da biblioteca da minha mãe. Isso com sorte. Porque sem ela, eu tinha que recorrer às últimas folhas dos meus cadernos pautados: de frente pra trás, matéria, de trás pra frente, desenho. Obrigação e lazer se encontravam em algum ponto um pouco mais além da metade da brochura. Quando fui repor a resma do papel de imprimir aqui em casa, a pergunta voltou a me perseguir: como é que quinhentas folhas de papel branco, branquinho dos dois lados, pode custar assim tão pouco? Dois euros e pouco – e minha mãe nunca me deixou. Papel-rascunho, com sorte. Família é tudo igual, só muda o trauma. Outro dia minha amiga trouxe pros meninos brinquedinhos de mexer com água e legendas: é que a mãe dela nunca deixava ela. Mas é assim. A gente cresce e se vinga.

8 comentários:

Felipe Campbell disse...

Pois eu quando, se, um dia tiver filhos, vou fazer o seguinte:

* vou deixá-los ver mais de duas horas de televisão.

* vou deixa-los tomar refrigerante, nem que seja de vez em quando.

* vou proibi-los de frequentar qq igreja.

* vou incentivar o lado ludico e musical deles.

André Augusto disse...

que mãozinhas fofinhas hein! hehe!

Saudades de vc, do Beto e dos pequenos. Seremos vizinhos em breve.

Beijos

PS: os filhos do felipe serão mini-idiota-sociais, aos moldes do pai, que orgulho! hehehehe

Marisa disse...

Engraçado...tenho pensado nessas campanhas ecológicas que pipocam por aí...
No computador, para copiar as dicas que tiro daqui e de outros blogs, uma receitinha e tal, eu ainda uso papel com o verso usado, até separo latinhs e pets p/ facilitar o trabalho dos catadores , mas fico pensando se temos que fazer tudo que esse pesoal fica apregoando...As grandes empresas e grandes poluidoras, que estragam nossa saúde com suas emissões de sei lá o quê, continuam fazendo o que bem entendem, e eu é que vou ter q. me policiar e angustiar por que tomei um banho a mais ou iluminei um pouco mais a minha casa? Não, não não!Isso mesmo, deixe os meninos usarem papel branquinho para seus desenhos...Esse trauma, pelo menos, vc. já eliminou...

Anônimo disse...

Carol,reveja seus conceitos:
Benefícios ambientais da reciclagem

50 kg de papel reciclado evitam o corte de uma árvore de 7 anos.

Cada tonelada de papel reciclado pode substituir o plantio de até 350 m2 de monocultura de eucalipto.

Uma tonelada de papel reciclado economiza 20 mil litros de água e 1.200 litros de óleo combustível.

Pense nisto!
E depois o Brasil que tem que cuidar da Amazônia.

Juliana disse...

O que eu mais AMO é que eles seguram o lápis com a mão esquerda!
Fofos!!!

Anônimo disse...

Oi Carol,
Que surpresa agradável... estava eu aqui passeando por alguns blogs e por acaso acabei encontrando você.
Adorei o teu blog, achei uma delícia de ler e vou voltar sempre.
Adorei sobretudo o fato de termos o mesmo nome, que coincidência!

Um abraço da sua xará,
Caroline Nogueira

Sergio e Marilena disse...

Olá Carol,

eu vivo tentando ser ecologicamente correta mas tambem deixo as crianças desenharem no papel branquinho. É mais prazeroso!!! Dos meus traumas eu me vingo deixando-os tomar gelado, andar de meias, mexer com água a vontade e pular em poça d'agua. E ainda morro de inveja quando os vejo com o tênis e a barra da calça cheios de lama!!!


Marilena

Carol Nogueira disse...

Anônimo, é óbvio que eu tenho cá minhas preocupações ecológicas. Eu só acho que cada um de nós comete seus pecadilhos ambienteais - o meu é dar papel branco pros meninos. Mas ó minha cota de carbono deve estar negativa, porque aqui eu não uso carro. Nunca. :o)
Pessoal, essa era a idéia mesmo! A gente falar dos nossos traumas bobos causados pelas ranzinzices paternas e maternas, que a gente reproduz provavelmente nos nossos filhos, só mudando o tema.
Beijos a todos e, xará, seja bem-vinda. Dé, quando chegar em Madri, avisa.