sábado, julho 26, 2008

Casa na rua

Modo de dizer, mas em julho e agosto Paris fica deserta. Óbvio que tem um monte de gente, mas não aquele monte de gente de sempre: é cada dia um monte de gente diferente. Quem é daqui viaja, quem não é vem pra cá. Daí que o parisiense normal, feito de cabeça, tronco e mau humor vira o parisiense de férias, feito de cabeça, tronco e mala de rodinha (e menos mau humor).

A coisa mais comum do mundo são férias coletivas. A padaria ali embaixo fecha as portas dia 1° de agosto sem esperança de pão quente pelos próximos trinta dias. Mais legal ainda é que minha segunda opção no quarteirão seguinte está fechada para obras. Porque este é outro esporte nacional durante as férias: reformar. E mudar.

Acho que tirando eu todo mundo que ficou está de mudança. E como custa caro, o jeito é fazer como esse moço: encher o carro de tralha e ir levando em mil viagens - o que também acaba sendo um jeito (menos legal) de viajar.

Enquanto a pessoa entra e sai mil vezes, a vida dela fica ali no meio da rua esperando a hora de entrar na casa nova. A cômoda com tudo de íntimo escapando das gavetas. E em cima a televisão. E em cima o travesseiro com uma fronha ridícula. Quando eu menos esperava o yuppie saiu carregando um cavalinho de pau. Super útil quando você tem mania de adivinhar as pessoas que passam. Eu posso ficar ali horas.

4 comentários:

Kia disse...

Sua tia, minha prima, esta chegando por ai. Espero que ela se lembre dos pães gostosos que eu comia em casa de sua avó quando por la morei quando fiz um curso na UNB. Pães caseiros são ótima opção para as férias coletivas.
Bjs. Kia
Ps: Por que vc não fotografou o cavalinho de pau?

Carol Nogueira disse...

Kia!
Nas minhas experiências na cozinha hoje fiz uma torta salgada que modestíssima à parte... Vou tentar o pão!
Claro que eu tentei fotografar o cavalinho mas claro que eu não consegui. Compreensivelmente o moço tava com pressa e entrava e saía e entrava e saía. Beijo com saudade!

Felipe Campbell disse...

Eu queria que o mundo parasse em agosto e eu ficasse 30 dias procurando algo pra fazer no caloroso verão europeu. Humpf!!!

Beijocas

Bailarina disse...

O cavalinho de pau é material suficiente para formular o perfil do cidadão, especialmente em mentes criativas como a sua. Confesso, a minha também é. Dá texto, querida! Bjs saudosos