sexta-feira, outubro 03, 2008

A teoria da revisão climática

Notem bem que eu me baseio numa pesquisa de opinião super séria que atestou, surpreendentemente, que as pessoas gostam das minhas filosofias de botequim e teorias de araque. Não tenho culpa. Então lá vai. A teoria da revisão climática.

Quem nasceu em temperaturas tropicais e de repente se muda para o hemisfério norte logo chega a uma conclusão surpreendente. No inverno, faz frio (mesmo). No verão, faz calor (ou quase). Na primavera, renascem as flores e as folhinhas das árvores que a gente julgava mortas. No outono, todas as folhas ficam marrons e caem por terra. Ou seja, tudo o que te ensinaram na segunda série e você nunca, jamais tinha tido a oportunidade de observar na vida real.

Porque vamos combinar que no Brasil não é assim que acontece. No Brasil, no verão faz calor. No inverno esfria um pouco. Na primavera e no outono não acontece nada! Quer dizer, nada além dos desfiles das coleções novas, mas não é disso que eu estou falando. O que eu defendo aqui é uma urgente e radical revisão do nosso conteúdo educacional sobre o clima nas aulas de geografia! Isso mesmo! Vamos contar a verdade pras crianças, pra elas deixarem de crescer frustradas!

Acho até que o tema tinha que ser abordado regionalmente. Porque no Nordeste chove no inverno, e no sudeste é o contrário. Claro que pode-se (e deve-se) falar das variações no resto do país (e do planeta), mas dando muito mais destaque pra realidade local, vivenciada todos os dias. Sinceramente, eu ia adorar aprender sobre medição pluviométrica. Entender porque uns anos chove mais e outros menos. E se é verdade que a primeira chuva carrega no ar virusinhos e bactérias que estavam dormindo no chão (que é por isso que eu não podia cheirar a primeira chuva de setembro!).

Já pensou? Acho até que as grifes de Brasília deviam mudar os nomes das coleções. Primavera-verão, outono-inverno nada! Tinha que ser coleção da seca e coleção da chuva. Até porque, quem é que usa sandalinha rasteira em Brasília em janeiro? Só quem quer ficar com o pé encharcado. Já imagino as coleções de impermeáveis e galochas modernérrimos, pra combinar com a arquitetura.

Então é isso: revisão climática já! Tem algum geógrafo aí me ouvindo?

6 comentários:

Dante Accioly disse...

Gostei, cumade. Lá no Ceará, tem estação chuvosa (talvez uns 20 dias por ano) e estação seca (os outros 345 dias). Só. Nada mais. Confesso que aqui em Brasília consigo distinguir algumas ligeiras variações entre primavera, verão, outono e inverno. Algumas plantas, algumas aves, algumas mudanças de temperatura. Mas certamente nada que se compare ao que se vê por aí. Beijo nos quatro.

Felipe Campbell disse...

Quanto mais perto do Equador, menos diferenciação climática há. Da mesma forma que aí no Norte as estações são bem definidas, elas também o são lá pra baixo, na Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Chile...

Aqui é tão bizarro que o inverno atinge o auge da frieza em julho. E o mês seguinte, agosto, talvez seja o mais quente do ano, porque geralmente já estamos há uns 80 dias sem chuva nessa época.

Agora, sobre as escolas, é verdade mesmo. Olha a imagem que a gente tem de Papai Noel: é sempre um velhinho chegando numa rena, por uma lareira, neve, frio, etc. Ninguém em sã consciência imagina um Papai noel derretendo de calor, na praia, e as pessoas com roupa de verão na noite de 24 de dezembro. Isso é culpa de filmes, desenhos animados etc. Em nenhum deles quando é Natal NÂO está nevando, fazendo frio e poucas pessoas estão na rua.

Aqui, pelo contrário. Natal e réveillon são o símbolo do Rio 40 Graus. Purgatório da beleza e do caos.

sabrina disse...

não acredito que vc já se esqueceu dos ipês da nossa cidade!! a primavera, o comecinho da chuva, a cidade gramadinha, toda verde, com as árvores lindas... vem ver, vc tá perdendo!!! :) beijão, sá.

Paula Menna Barreto Hall disse...

Boa, Carol. Imagina aqui no Arizona, deserto, deserto, deserto! Mas percebe-se melhor as estações, curioso! Estamos em pleno outono, a temperatura já começa a cair e as folhas também, só que a "desperate housewife" aqui é quem limpa!!! beijão

M. disse...

eu sou um geógrafo!
apoio sua causa, minha cara! apoio ainda mais o seu blog, seja lá o que isso vem a ser.






tá bom, é mentira! eu não sou geógrafo! mas adorei seu texto!

estou ansioso pelo dia em que verei todas as folhas vestirem-se de marrom! ai ai...

Carol Nogueira disse...

Mas Sá, os ipês saem quando chove! Não importa se for dia 21 de setembro ou bem antes. Pra mim não é em função da primavera, é em função da chuva que eles dão o ar da graça. Por isso que eu defendo a nova nomenclatura!
Mr. M, seja super bem vindo. Eu bem ri do seu comment. Beijo em todos.