segunda-feira, setembro 29, 2008

Arte rasgada

Eu vou a exposições muito menos do que gostaria e muito, muito, muito menos do que deveria. Mas quando li sobre essa no jornal eu simplesmente fui. Tipo no mesmo dia. Tá. Na mesma semana, que também não era assim tão urgente.

Eu não entendo nada de arte, não sei nem os períodos de cor. Mas eu sei quando é bonito. E eu sei quando faz sentido pra mim. E Villeglé me fez um sentido danado. A produção dele começa na segunda metade da década de 1960. 1968, se te diz alguma coisa. E é assim que ele faz: na calada da noite, ele arranca cartazes do meio da rua. No ateliê, ele cola uns sobre os outros, fazendo novas composições com cores diferentes, e principalmente com pedaços de frases, de letras, de palavras. Da sobreposição dos cartazes, nascem as obras. Primeiro que a obra dele testemunha sua época. Nos pedaços de cartazes (publicitários, políticos) a gente vê fragmentos do que fazia parte da paisagem urbana de então. Os quadros são inclusive batizados com os nomes das ruas de onde a matéria-prima foi arrancada. Isso, a segunda força do que eu vi: os cartazes não são delicadamente retirados, são arrancados, rasgados, puxados à força. Esses rasgos têm o desenho da raiva que movia os jovens daquela época, têm o movimento da rebeldia que é vandalizar uma peça publicitária banal para transformá-la em arte. Por último, que é bonito. Mesmo. Só ao vivo dá para ver a textura dos rasgos, só de perto dá pra ler as frasezinhas pequenas, engajadas ou denunciadoras, que compõem o que, visto de longe, parece apenas uma estampa indefinida. Sabe o que eu queria muito? Um desses na minha parede.

9 comentários:

Felipe Campbell disse...

eita, parece o pirulito do ponto de ônibus do eixinho L ali na altura da nove sul.

Felipe Campbell disse...

Pensando bem, lembra também as capas dos "Anthology", dos Beatles.

Leandro Wirz disse...

Essa exposição deve ser muito interessante. Eu curto colagens e arte urbana. Tenho hábito de fotografar grafites, cartazes, placas e vê-las recontextualizadas. Valeu pela dica! Vou dar um Google atrás de mais info.

Dante Accioly disse...

Ei, cumade! Por que é que tu não faz a tua própria obra de arte?

Superquadras disse...

Dante, seu mané, ela já fez as duas maiores obras de arte dela.
Carol, entrega meu pisante 43 para o moço que mora na cabine telefônica. Aproveita, aceita o convite pra jantar com ele no meio da calçada, bate um papo e escreve a história aqui no blog.

Renato

(Superquadras era um blog de exercício de um curso que eu fazia)

Superquadras disse...

Dante, seu mané, ela já fez as duas maiores obras de arte dela.
Carol, entrega meu pisante 43 para o moço que mora na cabine telefônica. Aproveita, aceita o convite pra jantar com ele no meio da calçada, bate um papo e escreve a história aqui no blog.

Renato

(Superquadras era um blog de exercício de um curso que eu fazia)

Carol Nogueira disse...

Eu, não, Rê, eu tenho medo do moço da cabine telefônica! Mas eu vou levar seu tênis pra ele. Aqui missão dada é missão cumprida. :o)

Maíra Brito disse...

Carol!!
cheguei a Paris no domingo. ia te escrever antes, mas me atrapalhei, rsrsrsrs
como estao as coisas?? estou por aqui desde domingo à tqrde. e mesmo perdendo o show da madonna; jq vi o Villeglé no Pompidou!
sera q conseguimos nos encontrar?? estou em oberkampf... nossa q teclqdo dificil!§!!

bjossss
Maira
¨;°

Bailarina disse...

Carol, querida, eu tenho várias paredes em branco! Também queria muito um desses em qualquer uma delas! Beijos!