quinta-feira, agosto 20, 2009

Pingos de poesia

Era uma vez uma casa no meio de um campo, que era tocada de leve pela luz enevoada que atravessava, doce, as jovens folhas de uma primavera que se anunciava tímida. Quem seriam os moradores daquele lugar misterioso e acolhedor? Uma vozinha? Uma família despedaçada pelo tédio? Um assassino em série?

Era outra vez um livro de Pascal, qual deles poderia ser?, em que alguém exclama: oh, quantos reinados nos ignoram!, fazendo pensar na nossa arrogância tão humana, que ignoramos tanto e tantos, tendo a pretensão de sofrer pelos que não sabem de nós.

E era uma vez uma estação de metrô que tinha no chão uns disquinhos dourados onde se liam fragmentos de obras literárias de todos os tempos, de todos os povos. O começo de um poema, um pedaço de romance, haja erudição para saber de onde eles vêm.

Um texto no vidro do metrô explica o projeto, que se chama algo como gotas de poesia. E poético também o texto, teoriza sobre de onde teriam vindo essas gotas inspiradoras – teriam chovido da biblioteca vizinha?, se desprendido de seus milhares de livros e despencado lá do alto, direto no chão da estação de metrô.

A explicação é tão deliciosa que só me instiga a seguir o rastro das gotas, reunindo pedaços de histórias que ninguém nunca imaginou tão soltas e tão próximas, deixando a imaginação me levar pelos pequenos fragmentos. Catando a poesia entornada no chão.

7 comentários:

Felipe Martins disse...

O metrô é o espaço publicitário mais visto por pessoas de todos os tipos. E as propagandas que já vi em metrôs são fantásticas também.

Sonho com o dia em que terei um metrô do lado da minha casa aqui, com uma estação cheia de fotos legais, frases bacanas etc. mas acho que já terei pra lá de 50 anos... :(

Helena disse...

Em Porto Alegre, todos os anos tem um concurso no qual são escolhidas poesias para serem colocadas nos vidros dos ônibus. Além dessas, textos de poetas conhecidos também entram. E a gente vai viajando nos dois sentidos enquanto está no ônibus :)

Ricardo disse...

O fecho com Chico matou a pau...

Gigi disse...

Concordo com o Ricardo acima.
;-)

Denise e Zé Guilherme disse...

amo textos lotados de adjetivos! super sinestésicos os seus...

você amamentou exclusivamente 2 meninões até os 6 meses??? uuuhhh! tiro o chapéu demais pra você, minha tia teve 2 meninos gêmeos, mas era um malabarismo amamentar os dois... ela só conseguiu por pouco tempo
e ainda por cima, ela engravidou de novo quando eles tinham 3 meses (acidental, claro)


não sabia que o tratamento a laser era eficiente assim, sempre pensei como um paliativo mais ou menos, tipo aquele povo que tira tatuagem com laser e fica tosco, sabe?
essa sua informação abriu novas perspectivas... é bem uma possibilidade pra depois que eu fechar a fábrica... porque a produção acabou de começar e eu já tô adorando tanto, que nem fico mais tão grilada com as estrias!
beijos pra família toda! (a sua já começou grandinha, né?)

Barbarela disse...

Carol,
Existe um projeto de calçar a W3 com poesias de poetas da cidade. O projeto foi lançado pelo artista Gougon e já tem apoio de muitos artistas e poetas, falta o apoio do GDF.
Gougon é o mesmo artista que por meio de intervenções urbanas colocou poesia em mosaicos nas paradas de ônibus da W3. Uma pena que foram destruídas pela ignorância do mesmo GDF.
Se quiser conhecer mais do projeto segue o link: http://mosaicosdobrasil.tripod.com/id19.html

Adoro e leio sempre seu blog!
Bjs
Bárbara

Anônimo disse...

carol,

adorei o post, realmente lindo!
queria muito saber mais sobre este projeto, pode me dizer onde me informar mais?
beijo,
renata suzane