terça-feira, outubro 20, 2009

A perda da inocência

Há pouco mais de dois anos eu escrevia sobre a sensação de paz numa Paris que eu estava começando a descobrir. Não desdigo o que disse, mas hoje sou obrigada a dizer diferente.

Porque domingo fui passear nas pulgas de St Ouen, um dos meus lugares preferidos na Paris que vou construindo ao longo dos anos. Tem uma parte de mim que veio me ver por aqui, e quis mostrar para ela porque adoro me perder no meio daquelas peças dos séculos passados e dos velhinhos fofos vendedores de relíquias, gente que troca um bom negócio por um bom papo e os dois por um bom prato de embutidos e vinho.

Eu estava feliz e arejada, que é como se fica quando se tem quem se ama por perto, num programa bacana, numa tarde azul de um domingo frio. E parece que é sempre assim que me encontra a violência quando ela decide cruzar meu caminho.

Quinze minutos depois de tirar essa foto, eu vi cinco rapazes baterem em alguém que eu amo para roubar uma bolsa. O João estava na minha mão, os gritos de socorro saíram da minha garganta até arranhar, o medo de algo mais grave ainda esmaga meu peito.

Não sei dizer mais nada. Daqui uns dias, talvez, eu volte a falar de covardia, de impotência, do medo de perder a fé. Agora não.

21 comentários:

jana disse...

Leio sempre seu blog...Sinto muitíssimo...

Felipe Martins disse...

Puta merda... Que horrível. Mas acontece no mundo todo mesmo. Aqui a gente ainda tem um alarme ligado que nos deixa menos suscetíveis a isso quando saímos do país - pélo menos nos primeiros dias. Aí as coisas são mais tranquilas e talvez ate por isso a gente fica mais chocado quando vÊ algo do tipo.

Pelo menos espero que esteja tudo bem.

Beijo grandão.

Leandro Wirz disse...

É, Carol, é foda. A violência diz presente mesmo em tardes de céu azul em lugares agradáveis. Receba um abraço solidário, mas levante o moral da tropa e siga em frente. A vida tem dessas coisas. Força.

Anônimo disse...

Sou da velha guarda, existem muitas diferenças tanto em Paris como qqlr lugar do mundo,Ká abra sempre os olhos e ouvidos pq estamos no mundo cada vez + violento!Estou até agora p..... cuidem-se muito fico rezando. Pensei em vender qqlr coisa e ficar com vcs até voltarem.Deus os abençooe com saudades de todos vcs Dinda....

Joana disse...

Leio sempre o seu blog e também moro em Paris. Quando vi uma cena de violencia pela primeira vez, também fiquei chocada. Violencia existe em qualquer lugar!

Mariana disse...

Não temos pra onde fugir mesmo... é chocante se confrontar com a omniprésence da violência. Espero que estejam todos bem!

Marina disse...

Carol, receba meu abraço afetuoso, cheio de energia para seguir em frente. Beijos, Marina

Reginaldo Macêdo de Almeida disse...

Vou a Paris por trabalho quase todos os anos e nunca me senti seguro em Paris.

Possivelmente não sejam os mesmos parisienses os delinquentes, mas em 2006 quase fui roubado por uma gangue de romenos (creio eu). Estava na margem do Senna, próximo a Place de la Concorde, tirando fotos de uma ponte quando uma sujeita se aproxima de mim, se abaixa e me mostra um anel dourado e me pergunta se é meu porque o viu caindo do meu bolso.

A idéia é te distrair enquanto o companheiro dela chega por trás e rouba o que puder, ou então ela pede uma recompensa, e o espertalhão que aceita o anel que não lhe pertence de volta abre a carteira pensando estar fazendo um excelente negócio, vem o cúmplice e tchau carteira e dinheiro.

No meu caso eu recusei o anel e apertei o passo. Mas passei a observá-los e como eles assediavam às pessoas, principalmente aos americanos, que afortunadamente não caiam no golpe dos pulguistas.

Quando saímos do Brasil temos esta falsa noção de segurança, este item tão caro para nós e às vezes nos esquecemos que gente ruim há por todos os lados.

Como dizia um amigo meu, os bandidos da europa também possuem os olhos azuis...

Sinto muito pelo seu percalço.

Bailarina disse...

Flor,

Sei exatamente qual é a sua sensação! É horroroso, mas vai passar! Um beijo carinhoso!

Anônimo disse...

pois é, mana... e eu só quero poder dar um abraço apertado. te amo. um beijo, sá. :(

Anônimo disse...

Ai, Carolzinha, amada! Que coisa horrível! Senti daqui o frio na espinha de medo! Essa é a pior sensação do mundo. De invasão, de impotência e insegurança!
Fé, minha amiga! É ela que fortalece as pernas prá sair de casa. Acredite. Beijo carinhoso e um abraço confortante. Bia Faria.

sidneif.wordpress.com disse...

Prezada Carol

Num momento desse, além de ser solidário, cabe acender a esperança -sim existe, ela sofre algum apagão, mas existe - de um futuro melhor.

Esperar que nós humanos nos tornemos melhores não seria prudente. A lata de lixo homem continuará a falhar.
Todavia, por que não acreditar que João, Pedro e o resto da garotada assomarão ao planeta imbuídos de sensibilidade e discernimento. Depende de nós...

Um grande abraço!
Sidnei

Helena disse...

Às vezes tenho a impressão de que conheço mais gente que foi agredida na França do que no Brasil. Presenciei uma cena horrível em Marseille: uma pedra de construção enorme sendo jogada em direção a um grupo de pessoas que estavam no lado de fora da gare. Carros com a lataria furada, incêndio criminoso, invasão de apartamentos, agressão gratuita e por aí vai. A França e qualquer lugar do mundo não são o paraíso, infelizmente.

Não te conheço pessoalmente, mas acompanho teu blog e me solidarizo contigo. Um forte abraço!

Anônimo disse...

Carolzinha, querida, sinto muitíssimo! Só de pensar em presenciar algo semelhante com as minhas meninas por perto me dá um tremendo frio na barriga. Espero que o João e todos vocês estejam bem. Que Deus os proteja sempre!

Beijos e saudades,
Mariana Przytyk.

Lourenco disse...

Só queria te deixar um beijo e um queijo, Carolina.

Aline disse...

Carol, não perde a fé não... espero que você se recupere do medo, da covardia, da impotência e do susto... Um abraço de conforto, um beijo com carinho e força. Aline Fonseca

Renato disse...

Coluna do Ancelmo Góis (O Globo), ontem (20/10):

Dias atrás, um casal de brasileiros - ele com 60 anos, ela com 58 - foi espancado por 12 jovens vândalos na faixa de uns 20, acredite, em pleno metrô de Paris.
O grupo, que provocava a mulher com piadinhas e cutucões, jogou o homem no chão e iniciou um festival de chutes.

Gigi disse...

Nossa, Carol, que coisa horrível. Sinto muitíssimo. Violência é algo que, se deixarmos, nos paralisa de medo e desgosto. Infelizmente, não existe lugar no mundo em que estejamos livre disso, ainda que em alguns nos sintamos menos vulneráveis do que em outros.
Espero que esteja tudo bem com vcs agora.
Eu bato o pé em acreditar na bondade e nas boas intenções das pessoas, ainda que às vezes fatos pareçam querer me provar o contrário. Não perca a fé!

Marilena disse...

Sinto muito por esta situação. Infelizmente parece que quando estamos mais tranquilos estas coisas nos acontecem. É uma pena. Espero que estejam todos bem agora.
Um beijo

Emiliana disse...

Carol, acabei de ler seu blog como sempre faço e fiquei estarrecida com o que li...Espero sinceramente que vocês estejam bem. Quero deixar um grande abraço de solidariedade a vocês....

Anônimo disse...

Carol, morri de pena de vcs, da minha querida irmã..É como disse o seu amigo Reginaldo Macedo, quando saimos do Brasil temos a falsa sensação de segurança..
Todos os lugares tem assaltantes violentos.E a polícia não fez nada??
Bjs, Dinéa