quinta-feira, outubro 21, 2010

A dinâmica


A questão não é só quem você é. É como você funciona.

Já viu um tímido em família ser o palhaço da turma da escola?

Ou um ciumento doente virar um tranquilo, desapegado e cabeça-feita num relacionamento em que encontra segurança?

Eu já. Muitas vezes.

Cada vez vejo mais filosofia na ciência e, sabe, a cada ação corresponde uma reação. E isso muitas vezes tem um efeito mais importante na vida prática do que o que somos, na essência.

Às vezes, a questão é menos a pessoa e mais as conexões que ela estabelece.

Às vezes, o que lutamos muito para mudar em nós mesmos não precisa ser mudado exatamente na gente. 

11 comentários:

Anônimo disse...

Matou a pau. Parabéns:-)

Anônimo disse...

as vezes eu ainda me assusto com as sintonias da vida. é tão bom ter você por perto, ainda que em pensamento. um beijo, te amo! Sá.

Raquel O. disse...

A mais pura verdade. Céus, como seus textos são bons! :o

Raminagrobis disse...

Estava ruminando algo parecido outro dia...
Seus pequenos textos foram uma descoberta surpreendente. E a mim também assombram as trombadas fortuitas e as sintonias da vida.
Um abraço,
K.

Renato disse...

Sou chato em todo lugar e com todo mundo.

Carina disse...

Achei seu texto muito interessante e fiquei pensando sobre isso um tempo, refletindo sobre minha vida e a vida dos outros e as conexões que estabelecemos.
Participo também de um ateliê de escrita para dramaturgia e suas reflexões me fizeram pensar nas conexões entre as personagens, no perfil que traçamos para cada uma e no que estas conexões podem levá-las a fazer.
Queria deixar registrado que este texto contribuiu muito para minhas criações e que estou compartilhando com o pessoal do ateliê.

Obrigada.

Carol Nogueira disse...

Pessoal, é tão bom saber que eu não sou a única doida que pensa sobre essas coisas! :o)
Relendo o texto, fiquei pensando se ficou parecendo que eu estava dizendo que "a culpa é do outro" - mas os comentários me aliviaram, acho que ficou claro. Se nossas conexões não estão funcionando, a gente é que tem que ir lá e consertar (ou trocar de conexões). Né?
E Raminagrobis, qualquer dia vou escrever sobre meu amor pela palavra surpreender. Ter ganhado essa palavra especialmente me colocou um sorriso bobo na cara hoje de tarde.
Beijos em todos. Um especial pro Renato, que de chato só tem a vontade de ser.

Jewel disse...

Bonjour Carol,


sou uma brasileira em Paris (15 anos jà !) e leio seu blog ha algumas semanas... hoje seu post me fez abrir um grande soriso... sou psicoterapeuta e trabalho com a orientaçao sistêmica estrategica breve de Palo Alto, e o foco é e-xa-ta-men-te este que você apontou : as conexoes que as pessoas estabelecem entre elas, as interaçoes que elas criam.
Seus exemplos sao perfeitos de tantos casos clinicos que vejo... e é na mudança desta interaçao que fobias, depressoes, problemas entre pais e filhos, com o patrao ou colega e tantos outros sao resolvidos de uma maneira ecologica e eficaz.

(E se a gente um dia tomasse um café juntas?)
Vania.

Orrevuá disse...

Oi, Carol,
Sou apaixonada por "coisas" francesas - a língua, Paris, a música, o modo de vida, entre outras coisas - mas nunca estive aí, então é uma "paixão" idealizada, claro, através do que vejo de fora. Foi assim que encontrei seu blog em algum momento que já nem lembro mais, e em um primeiro momento quis acompanhá-lo por poder ver a França pelos olhos de uma Brasileira, mas depois vi que o acompanhava muito mais por gostar dos seus textos, da sua maneira de escrever e, principalmente, suas visões de tudo,
Nunca vim comentar, nem sei bem por que, mas este texto de ontem não saiu da minha cabeça desde que o li, e teve um efeito especial em mim e na minha vida atual.
Então, achei necessário vir aqui agradecer a você pelo texto, mas não só por ele, mas por todas as suas sábias visões de mundo.
Beijo grande,
Dani.

Caso me esqueçam disse...

Já viu um tímido em família ser o palhaço da turma da escola?


meu irmao era tao timido, que ele nao atendia telefone em casa. ligavam pra ele e ele desligava porque tinha vergonha da familia, da gente, ouvindo ele conversar com alguem. em casa era assim. na escola ele era representante de turma.

Margareth Travassos disse...

Ola, Carol!

Vc ja leu Gilles Deleuze?Bem, ao comentar o livro Différence et répétition, Frédéric Streicher diz: "...G. Deleuze veut voir l'existence à la manière d'un système finalement très physique d'écluses où les différences de potentiel, les hausses et les chutes d'intensité sont coordonnées par des gradients, des axes de rotation, des seuils, etc. La mise en œuvre de ce nouveau mode de vie implique de renoncer à se considérer comme un sujet substantiel, stable et identique à soi-même, qui se représente des objets eux-mêmes substantiels. L'individu se trouve désormais défini, non plus par son essence ou son espèce, mais par sa puissance d'affecter et d'être affecté, par ses réseaux de relations intensives. Il est moins un « être » permanent qu'une certaine manière de se comporter, d'agir et de réagir, un certain système d'intensités. La question est alors de savoir de quels types d'intensités l'on est capable, quels types d'accidents l'on peut subir et jusqu'à quel point." Acho que tem a ver com o que vc anda pensando.

Um abraço