terça-feira, outubro 12, 2010

Where the heart is

A primeira vez que eu botei os olhos nesse livro foi nas mãos de alguém que não costuma lê-los. Saquei que estava diante de um fenômeno editorial, o que rapidamente se confirmou.

Li umas páginas soltas mas não engatei porque não consigo embarcar na literatura norte-americana. Sinto que estou lendo uma série de tevê – e, na boa, séries de tevê são mais divertidas com a Phoebe tocando violão.

Então esperei o livro virar filme, ainda que já soubesse a história toda. O filme é legal, mas nada perto de toda a comoção que eu vejo em torno dele. Isso, sim, é fantástico.

Porque eu tenho a impressão de que toda mulher ocidental de classe média se enxerga ou já se enxergou naquela personagem. Sei que a generalização é séria, mas tenho motivos para isso, porque minha percepção na verdade se agravou recentemente.

Flagrei a vendedora de uma loja popular conversando com a colega repositora, os olhos perdidos nos sonhos, contando o quanto havia se identificado com a personagem do filme que havia visto na noite anterior.

“Ela foi para a Itália e comeu, comeu, comeu, depois fez bastante yoga e depois foi para uma praia e encontrou o homem da vida dela. É isso que eu estou precisando fazer.

Em suma, temos todas os mesmos sonhos e acordamos todas na mesma realidade monótona, em que achamos tudo complicado demais para mudar.

De toda a auto-ajuda entusiasmantemente barata de que é feita o enredo, meu momento-verdade é a história do perdoe-se, seja quem você consegue e esteja onde está seu coração.

Há dois jeitos de fazer: trazer seu coração pra cá ou sair correndo atrás dele. Como a gente anda vendo filme hollywoodiano demais (e como a gente é mulher), adivinha?, a gente quer sempre o mais difícil.

9 comentários:

Amanda disse...

Ai meu deus, la vou eu discordar de novo... (vou te responder ainda).

Acho que às vezes é preciso sim sair correndo, sabe. O problema é dar o primeiro passo, depois dele fica tudo mais facil e a gente se pergunta, puxa, por que mesmo que eu não fiz isso antes? (acho que ja tivemos essa conversa antes, não? :)

Acho que a gente anda vendo filme hollywoodiano demais sim, e achando que essas coisas so acontecem em filme mesmo, então pensamos que é melhor nem sonhar demais.

O que eu achei engraçado e muito revelador na divulgação desse filme foi a frase "baseado numa historia real". Como se fosse algo extraodinario ir viver sua vida do jeito que quiser.

Beijo!

ricardo disse...

se bem que ela é americana antes da crise de setembro de 2009...Na verdade, pode até ser por conta da Julia Roberts, mas fiquei pensando um pouco no filme. E como adoro achar que entendo de mulheres ( ai de mim, tão metido à besta ) dou a maior força para que a minha esposa, coma, faça ioga e me ame...

Beijo!

Aline disse...

Eu ainda não li o livro e nem vi o filme... fiquei com medo de não me enquadrar em nada e sair correndo e fazendo coisas malucas. Afinal, nossa vida definitivamente não é hollywoodiana...
Bjs,Carol!

Anônimo disse...

Carol, li esse livro logo depois de me divorciar, há dois anos. Não preciso dizer o quanto me identifiquei com a "personagem", preciso? Agora, fui ver o filme. Sabe o que foi interessante? Eu me lembrava de todas as cenas do "comer" e do "rezar". Mas a parte do "amar", não me lembrava de nada!!! Talvez porque na época meu lema fosse, "não comer" (emagreci 10 kg), "rezar"e "chorar"!! rsrsrs. Adorei seu momento-verdade, é a pura verdadade. Só gostaria de dizer que, muitas vezes, "ir viver sua vida do jeito que quiser", as vezes é dificil pra caramba. Ainda mais quando você foi criada pra casar e ser feliz pra sempre, blá, blá, blá (claro que o ser feliz é o detalhe, o pra sempre é o que importa!!).
Adorei o post, aliás adoro seu blog!

Claudia Brasil disse...

Vamos lá: devo ter alguma alergia a fenômenos editoriais.Urticária é o nome. Fico empolada,cheia de pápulas pra usar a linguagem mais técnica. Coça.Não rola. E não foi diferente com esse livro. Ah,todo mundo tá lendo? Ok,não compro,não leio, ignoro, não leio sobre, não discuto nem o assunto. Nada. Distância total. MAS... tô eu indo pra Sampa,passo na livraria do aeroporto pra comprar chiclete e... "moça, por favor, vc tem o Comer, rezar,amar? Me dá um por favor...". Assim, do nada, sem explicação. E, sem explicação, comecei a ler. E, por todas as minhas razões pessoais atuais, adorei. Vi o filme na estreia, na primeira fila (por absoluta falta de opção na sessão que estava abarrotada) com uma bacia no colo. Chorei todas! Não, não vou sair por aí comendo, rezando e nem amando. Tenho uma alimentação supostamente mais correta por causa da corrida e pretendo correr uma maratona no ano que vem. Rezar? Faço isso todo dia, mais de uma vez ou já teria surtado. E amar? Bom, não tá rolando por hora, o momento é outro. Mas estou aqui, em transição.E talvez por isso tenha me identificado tanto. Este é um ano único pra mim. Dos tradicionais pilares da vida feminina, o que não caiu por si só, eu fui lá e derrubei. Quem olha de longe, pensa "terra arrasada". Mas quem conhece a seca de Brasília sabe: basta uma chuvinha pro verde voltar.Tô esperando a chuva e, o que é melhor: tô pronta pra ela! Beijão!

Mariana disse...

Carol, adoro a sua escolha de palavras! Tem certas coisas que você diz que é bem aquilo que eu gostaria de dizer, mas não sabia como! Como andam as coberturas jornalísticas em Paris? Saudades!

déborah disse...

ei, moça do desenho! olha pra baixo! ele tá bem ali ó! (foi um comentário pra mim mesma também hihi)

Lília disse...

Boa noite!

Cheguei aqui depois de uma sucessão de cliques e advinha?
Adorei todos os posts que li, muitos poucos porque cheguei há poucos minutos, mas já virei sua fã.
Parabéns e sucesso, sempre!
Lília

Mariana N.R. disse...

Carol, adoro o seu Blog. Sou Pernambucana, jornalista e devo ter mais ou menos a sua idade. Casada moro no RJ e me identifico muito com seus textos!! Parabéns pelo Blog, já leio há muito tempo e nunca te escrevi. Bjs. Mariana. N. R.