segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Auto-dó (e seu contrário)



Nunca tive muito saco para quem tem pena de si mesmo, mas hoje em dia nem do triste sentimento nutrido pelo autocomiserante eu compartilho.
Nem dó eu tenho de quem tem dó de si mesmo. Tenho é raiva.
Conheço o discursinho de cor e salteado e, sabe da maior?, eu vejo nas entrelinhas uma tremenda de uma arrogância.
O-nada-para-mim dá certo esconde um tudo-deveria-dar.
Minha-vida-é-desinteressante esconde um eu-deveria-ser-um-sucesso-intergalático.
Não deveria, não, querido autocomiserante. Sua vida deveria ser como é a de todos nós, um dia boa, outro dia chata, um dia dando certo, outro dando errado.
Aquilo que ninguém ainda disse melhor que ele - cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.

10 comentários:

déborah disse...

ops, esse foi pra mim!
ps: o desenho tá maravilindo

Leandro Wirz disse...

tb curti o desenho.
e tb não tenho saco para autopiedade em demasia.
ah, claro, o texto do Paulo Mends Campos é antológico.

Raminagrobis disse...

É isso, autocomiseração é um tipo de autocomplacência, de autoabsorção - de narcisismo: vai para os dois lados. O "não sou bom o bastante" toca o "sou bom demais". Como quase sempre, a questão é desarmar as armadilhas do "eu", sempre tirânico e ardiloso.
Não conhecia o texto de Paulo Mendes Campos. Excelente.
E mais uma vez, para minha surpresa, seu texto caiu como uma luva...

Renato disse...

Menina, tira esse ódio do seu coração.

José Fernando disse...

O auto piedoso geralmente esconde um implacável crítico alheio. O auto condescendente é tolerante consigo próprio, porém impiedoso com a falha alheia. O narcisismo exacerbado está no DNA dos coitadinhos de si próprios. Também não dou esmola emocional para quem só chora por si.

Leandro Fortes disse...

Li todos os textos atrasados, sei lá, de um mês pra cá. Não é autocomiseração: me sinto um idiota que escreve abaixo do razoável. Em algum lugar, num tempo qualquer, perdi essa alegria de texto que você só faz aprimorar.
Deve ser Paris.
bjs

Anônimo disse...

No dia em que a gente deixa de sentir peninha de si mesmo, a gente cresce, evolui e amadurece, nao e' mesmo? Alias, quem tem muita pena dos outros e' igual a todos os animaizinhos de pena, so leva na...
ja' observou? hihihi

Anônimo disse...

Quem sofre, esconde a dor e vai a luta!!!!

Festa Pulp - disse...

Sem falar que esse tipo de postura é negativista e irritante. É tipo aquele amigo / colega que só sabe falar mal do trabalho, reclamar da vida. Ah, meu filho, vai jogar videogame, namorar, ouvir música, falar besteira, contar piada. A vida é muito mais do que um situação pessoal (normalmente pequena e irrelevante) que não deu certo momentaneamente.

Imagina essas pessoas quando algo REALMENTE der errado?

Beijiocas

Felipe disse...

O "Festa Pulp" aí em cima sou eu!!!