segunda-feira, março 28, 2011

Sous les pavés



Eu sou uma soixante-huitard.

Mesmo tendo nascido oito anos depois, ainda que nada na minha personalidade de não-cara-pintada me faça crer que adiantaria alguma coisa ter nascido quinze ou vinte anos antes, fantasio de que eu poderia sido a Heloísa, a Lião, a Dilma. Me conhecendo, acho daria no máximo uma boa Francisca.

Meus livros favoritos foram todos escritos em algum lugar entre 1960 e 1970 - minhas utopias, minhas ilusões estão fixadas naquele espaço temporal que viu a mim e à minha cidade nascermos. Até música: também acho que, depois deles, não apareceu mais ninguém.

Quando 1968 completou quarenta anos li todas reportagens e vi todos os documentários que me foram dados ler e ver. E comprei um livrinho de slogans da revolução.

Dans chaque homme il y a un quartier latin qui sommeille.

Soyez réalistes, demandez l'impossible.

La barricade ferme la rue, mais ouvre la voie.

E, o melhor de todos: sous les pavés, la plage.

O que pode ser mais poético?: sob os paralelepípedos (eu estou escrevendo "paralelepípedos" em um texto?), a praia. A liberdade que nasce da ação (inconstitucionalissimamente).

Não era barricada mas uma reforma gigantesca que fechava a rue Lafayette na sexta passada. Caminhões e homens de uniforme, sacos de areia e pedras - mas quando eu vi esse pedaço de calçada sendo feito, não pude pensar em outra coisa.

5 comentários:

Raminagrobis disse...

Engraçado - "Sous le pavé, la plage" sempre foi meu slogan soixante-huitard preferido. Até porque a primeira vez que ouvi, achei absolutamente enigmático. Só bem mais tarde me explicaram a razão...

José Fernando disse...

O 68 daí derrubou o De Gaulle, o 68daqui derrubou o povo.

Marco disse...

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

são 68 "!". espero não ter errado a conta... hehehe

Leandro Wirz disse...

ah, eu nasci em 1968, desculpa aí.
falei só pra te deixar com inveja...rsrs

Dandara disse...

um dia eu quero entender a frança com os olhos.