terça-feira, maio 03, 2011

The granite city itself



Em poucas palavras: é uma cidade universitária, provinciana e aberta ao mundo ao mesmo tempo, com um centro que se percorre em poucas ruas e muito rica, por causa do gás e do petróleo que são abundantes na região.

Quase todo mundo aqui trabalha nessa área - to-dos os anúncios do aeroporto de Aberdeen falam de petróleo. Os engenheiros formados pela universidade da cidade têm emprego garantido, outros vêm de fora se instalar aqui. Na escola, as crianças convivem com outras de mais de vinte nacionalidades diferentes.

As pessoas são simpáticas, amáveis, têm um sotaque adorável de cidade praiana, mas certamente a hospitalidade dos Mackay que eu conheço é qualidade adquirida no nosso Brasil inzoneiro. Aqui não rola aquela coisa de senta vamos tomar um café.

 

No voo de ida para Aberdeen eu anotei que no avião havia: muitos velhinhos, dois casais com crianças extremamente ruivas, um casal de punks com o moicano mais perfeito que eu já vi na vida, uma mulher bronzeada artificialmente, um único homem de cabelo normal (= meio grande), uma árabe de véu - e o resto era gente normal, até meio feia. Não podia imaginar o quão perto eu estava de definir as pessoas que eu vi na rua de maneira geral. Na exata proporção, inclusive.

Arquitetonicamente, Aberdeen é chamada de cidade de granito porque todos os seus prédios são feitos com essa pedra. Li num guia que isso lhe dá um ar sombrio nos dias fechados (que são muitos), mas eu tive a sorte de visitá-la em dois dias de sol resplandescente. Todo mundo para quem eu falava que estava na cidade por um dia e meio sublinhava a sorte que eu tive.



O lugar mais legal que eu conheci é o City Garden, que fica bem no centro da cidade, perto dos trilhos do trem. É um parque como conhecemos em Paris, onde todo mundo pode deitar na grama, comer e beber e as crianças podem brincar. No sábado de tarde, os punks fizeram um happenning e foi muito legal. Fiquei tanto tempo lá olhando as pessoas que fiquei vermelha de sol (só o rosto, né?, que o resto estava quase tão coberto quanto a árabe do avião).

Isso me leva ao tópico de como essa coisa de verão é algo relativo. Para mim estava um frio desgraçado. Mas todo mundo estava de vestido, short e blusa de alcinha.


Quem chega na cidade pela estação central já vê logo o porto com seus enormes navios - que me fizeram entender a vontade do meu avô Benjamin de cruzar o oceano. Mas nem tudo no litoral de Aberdeen é porto - pelo Beach Boulevard chega-se à uma praia impressionantemente bonita, de areia fininha, pedras e um farol poético.


Sabadão de praia, a ruividade estava toda exposta ao sol. Adolescentes corajosos se aventuravam no mar gelado, vovós e vovôs corriam com as crianças, tudo muito familiar - nos dois sentidos do termo.


De volta à cidade, dei um passeio demorado na feirinha de comida e artesanato que se estendia desde cedo na Belmont Street. Reparei num café onde certamente iria se tivesse mais tempo, Books and Beans, mas sentei mesmo no lugar que ficou sendo meu hot spot em Aberdeen: The Coffee House (na Gaellica Lane).

A lojinha é fofa, cabeça (tinha uma exposição de fotos bacana), confortável, tem um solzinho delicioso no terraço exterior, um bolo indefinível de bom. E, numa conversa de quinze minutos, o dono do lugar virou minha principal fonte para tudo que acabei de escrever aqui.


Ao contrário do que aconteceu em Londres, só ficou faltando um bom pub para mim em Aberdeen. Sentei no Brew Dog (Gallowgate Broad Street) porque era o único lugar que dava pra ver lá dentro - e que não parecia squattado por senhôôôres discutindo futebol. Mas ainda assim não estava totalmente confortável bebendo ali sozinha (voltarei ao assunto).

Last but not least, decidi ir ao cinema - falta de bar, confesso. Caí sem querer no filme Submarine, num cineminha old style ainda na Belmont Street que me lembrou o finado Cine Academia.


Para minha supresa, o filme, britânico, não só é belo, sua trilha sonora é - AAAAHHH! - um grito de maravilhosa (by Alex Turner, do Arctic Monkeys), como a história  se passa numa cidade muito, mas muito parecida com esta da qual eu não paro de falar.


Chave de ouro, diz aí.

7 comentários:

Aline disse...

Ô, Carol, o mundo, pelos seus olhos, é muito mais bonito!

Juliana Machay disse...

Sou sua prima, filha da Gloria, neta do Wilson. Tô adorando e me emocionando com esse resgate. No aguardo de mais histórias ricas e lindas de nossa (bem) distante origem.
Bjs.

déborah disse...

faço coro com a nossa prima, mana! quero mais fotos, mais notícias, mais novidades!
e também concordo que o mundo pelos seus olhos é muito mais bonito!

Juliana Cunha disse...

Obrigada pelo comentário lá no meu blog, Carol. O seu também é fofo!

beijos

machay disse...

Fazendo coro aqui com as meninas....

Mae disse...

Ca,
muito gostoso ler seus registros da viagem dos seus sonhos...adorei!!!conta mais...

João MacHay disse...

Brew Dog, uma boa cerveja!