segunda-feira, maio 02, 2011

The granite city's egotrip


Eu não encontrei ninguém. Melhor falar logo de uma vez para não alimentar expectativas.

Mas conheci uma cidade linda. Olhei, cheirei, ouvi, conversei, bisbilhotei e me emocionei tudo o que me foi possível em um dia e meio. E tive a certeza de que vou voltar por aqui.

160, Crown Street. Cheguei em Aberdeen sonhando com esse endereço. Ainda no avião, preparando minha chegada na cidade, levei um susto quando vi que meu hotel - que eu havia reservado semanas antes de colocar as mãos nas cartas da família - ficava absolutamente na mesma rua. Bom sinal.

A casinha parece continuar a mesma onde morou Elizabeth Rice, a prima do meu tataravô (cinco gerações me separam dele, mas estou com preguiça de colocar todos os tas) com quem ele se correspondeu. Além de várias cartas, foram preservados postais da agência central do correio, que fica na mesma rua, e do Marischall College, que eu fiz questão de revisitar.


Benjamin Mackay, o cidadão que saiu de Aberdeen para morar no Brasil, fundou família e morreu cedo. Foi o filho dele, Benjamin Villela Mackay, avô da minha avó, que como eu gostava de vasculhar esses assuntos familiares, quem recebeu essas cartas.

Ele se correspondeu com a Lizzie e com seu tio William, autor das cartas mais legais do acervo familiar, que eu ainda quero visitar em Hertshire. Mas voltando a Aberdeen.

Como a maior parte das casas da rua, a que foi da prima Lizzie foi transformada em um condomínio com vários flats. Nenhum deles estava ocupado quando eu toquei ali, na manhã de sábado. Talvez, por sorte, porque os habitantes (provavelmente estudantes) parecem ser meio porquinhos.


Lá fui eu, então, atrás dos registros na St Nicholas Kirk. Reza a lenda familiar que era lá que estavam os registros de nascimento, casamento, óbito e tudo o que valha. Que nossos avós teriam se casado lá e que a igreja seria... mal-assombrada.

Vamos aos fatos?


St Nicholas guardou o nome católico das suas origens mas é uma igreja Presbiteriana desde o século XVI - ou seja, impossível que alguém da nossa família católica tenha sido batizado ou se casado por lá.

Desde meados do século XX, todos os registros que antes pertenciam à primeira igreja de Aberdeen estão no City Council - assim como os registros de óbitos e os "endereços" das sepulturas. Acontece que, como era sábado, o City Council estava fechado - só reabriria na terça que vem.

Queria ter deixado umas flores pra Lizzie - mas o pastor Stephen Taylor, muito gente boa, se ofereceu para fazê-lo quando eu descobrir onde está seu túmulo. Ou seja, as pesquisas estão apenas começando.

Sobre a fama de igreja mal-assombrada: acontece que ela fica plantada bem no meio de um cemitério, como acontecia normalmente na idade média. Mas é um cemitério bem simpatiquinho, onde famílias fazem piqueniques e solitários lêem os jornais do dia.


Eu já estava quase indo embora de Aberdeen, de mochila nas costas (e que mochila, depois preciso contar de Londres) quando, num atalho perto da Crown Street, dei de cara com essa igrejinha anglicana: St John's. Ela é muito perto da casa que foi da prima Lizzie e foi católica durante grande parte do século XX - fiquei com aquela sensação de que era ali que a galera da minha família ia à missa.


Bati um papo rápido com um pastor indiano, gente fina mas ocupado com a missa de domingo, e dei de cara com essa senhora aí da foto - uma das únicas pessoas em Aberdeen que eu achei parecida com o que eu conheço dos Mackay.

Mas não, ela não era Mackay. Tinha um nome tão complicado que eu não consegui reter e era muito simpática - ela me achou adorable. Mas ficou meio desconfiada quando eu pedi para tirar uma foto.

There's plenty more to tell. Vários posts já estão agendados - eu avisei que vocês iam ouvir muitas abobrinhas sobre essa viagem. Desculpem começar pela ordem descronológica (casamento do Will e da Kate vai ficar pro final), mas quero falar de Aberdeen no calor das emoções.

6 comentários:

déborah disse...

tô morta de curiosidade e muito feliz pela sua viagem!

Dandara disse...

eita :|

Anônimo disse...

Linda narrativa, esperando mais resgates!

Anônimo disse...

Basta ouvir,ler,ver fotos que meus olhos lacrimejam. Voce não imagina como recordo-me de Aberdeen. Obrigada afilhada pelo seu relato beijos da Dinda

Carol Nogueira disse...

Um beijo para todos, foi mesmo muito emocionante! Hoje tem mais e, se der tempo, amanhã também.

déborah disse...

só um adendo: e essa senhorinha que é A CARA de uma certa avó com nome de arquipélago que a gente tem?
que graça!