segunda-feira, setembro 01, 2008

A inominada

O João chegou aos dois anos falando aurevoir, bonjour, piupiu, auau e escargot. O Pepê fala cocô, eca e igualmente piupiu e auau. Ele fala Dedé, também, descobri outro dia vendo fotos. E, óbvio, eles falam papai. O tempo todo eles falam papai. Mas nenhum dos dois fala mamãe.

Eles já falaram algumas vezes. Há um tempo atrás o João falava sempre, fazia parte do vocabulário normal dele. Quando está em apuros, de vez em quando, o Pedro fala mamã. Mas pedindo, assim, no repertório de gracinhas, nunca - nem um, nem outro.

Confesso que às vezes acho meio estranho. Tento me convencer de que não tem nada demais, inventei uma teoria totalmente isenta de que talvez eles se sintam tão ligados a mim que não sintam a necessidade de me chamar. Mais dia menos dia eles aprendem. Ou não. Talvez eles cresçam e resolvam ser daquelas crianças que chamam a mãe pelo nome. Sei lá. No fundo não tem importância, porque eu escuto mamãe mesmo sem eles falarem. Nos abraços-surpresa que eles me roubam pelas costas, nos nossos carinhos da hora de dormir. Quando desvendo os gestos que significam frases complexas, tipo esquenta-minha-comida-no-microondas-até-ele-apitar. Nas brincadeiras que a gente inventa e que ninguém mais entende a graça, tipo a massagem cosquenta emagrecedora. Eles falam mamãe o tempo todo. Mas só quem escuta sou eu.

10 comentários:

Aglais Trennepohl disse...

Olá! Cai no seu blog faz algum tempo, mas não cosigo me lembrar como... E gostei tanto que o "linkei" no meu blog!!
Quanto a isso de chamar de mãe é bem isso que vc escreveu! Estão tão ligados na gente que nunca pronunciam a tão desejada palavra... Mas liga não!! Quando começarem a chamar não vão parar mais!! Falo "de cadeira"!!
Felicidades pra vcs!!

Maíra Brito disse...

tem coisas q só mãe e entende.
e inventa.
":)

Bailarina disse...

Carol, se isso serve de consolo, o Gabriel, meu afilhadinho, já está com dois anos e meio e fala pouca coisa mais que os seus! Imploramos pra que ele repita as palavras, fazemos qualquer negócio, mas ele não cede. Só fala o que quer e na hora que quer! Sabe qual foi a última palavra que ele aprendeu e repete sem parar? Robô!?! Pra quê? Vai saber, mas ele fala, imita o robô e ri. É que o resto todo ele consegue nessa linguagem maluca que a gente estabelece com as crianças, de olhar e entender o que elas querem! Beijão

Anônimo disse...

Carol, mãe é mãe! Não precisa ficar explicando, nem repetindo o nome. Eu, aqui, fico tentando acalmar o instinto materno (que está gritando dentro de mim) curtindo meus sobrinhos. Historinha:
insisti muito tempo com o meu sobrinho para que ele me chamasse de Dinda. Afinal, não sou uma tia qualquer, além de tia sou a Dinda! E Dinda só tem uma! Eu ficava o dia inteiro no ouvido dele: Dinda, Dinda, fala Dante: Din-da. Na primeira vez que ele falou eu não me segurei e soltei um grito de felicidade: aaaaaaaaahhhhhh! Sabe o que aconteceu? O Dante aprendeu a falar Dinda mas, na cabecinha dele, essa palavra vem sempre acompanhada de um grito, ou seja: Dinda aaaaaaaaaaaahhhh! E cada vez que ele repete eu me realizo!
Saudades de vocês, Carol!
Beijocas para todos!
Paula (do Quito)

Me separei, e agora? disse...

Encantadora essa postagem! Quem não tem filhos já ouve essa palavrinha mágica de tanto desejar ouvir, imagina quem tem dois príncipes desses...ouve com os olhos, com as mãos!

Marina disse...

Ei, Carol!
Esta foto é muito linda e até eu escutei os meninos dizendo "mamãe" nesta brincadeira com você!!!
Beijos
Marina

Denise e Zé Guilherme disse...

Ai, já tô vendo que quando eu for mãe vou ter de trabalhar DEMAIS o meu lado canceriano-idealizador-da-maternidade... acho que vou sofrer HORRORES!!! Quando a minha cachorra passa por mim sem fazer uma gracinha eu já acho que ela não me ama!
Mas por outro lado, eu acho que procede pra caramba a sua teoria. Afinal, o vínculo entre mãe e filho(s) dispensa essas coisas (e lá venho eu idealizando de novo...)
Não tem jeito, né? É só vivendo isso pra saber (e sentir) mesmo.

beijos

Thais disse...

Ah Carol, to encantada com seu blog. Vira e mexe me vejo navegando por aqui.

Os meninos estao fofos. E que sorte a deles de ter uma mamae tao bacana quanto vc.

beijos

Thais

Kia disse...

Mães e filhos se falam no olhar nos gestos. É pura telepatia. Não precisa ser chamada é o sexto sentido que temos por vantagem.
Será que papai não será papa rsrsrs.
Bjs
Kia

Felipe Campbell disse...

Esses dois são muito figuras. E ainda serão bilingues.

Pena que não estive por aí. Espero que o Luizinho tenha conseguido encontrá-la. Beijocas