domingo, abril 05, 2009

Bedel de jardim

Já é começo de primavera, mas os jardins de Paris só ficam oficialmente piquenicáveis a partir do dia 15 – até lá os gramados estão descansando. O que me faz lembrar que quando eu cheguei por aqui, em pleno inverno, ficava tentando adivinhar se pelouse au repos queria dizer que ela estava descansando ou se ela era destinada ao repouso – ao nosso repouso. Ganhou a primeira alternativa, lógico, mas não é nada disso que eu quero falar.

É que, com muita razão, as pessoas estão desesperadas por um jardim. Primeiro porque eles estão lindos. Segundo porque vira e mexe abrem uns dias igualmente lindos. E é engraçado de ver aquele bando de adulto barbado, homem feito, fingindo que não viu a placa, tentando driblar o bedel do parque. A cena se repete diariamente: eu a vi no jardim da Sacré-Coeur, no parquinho perto de casa e, a melhor de todas, no Parc Monceau. Era hora do almoço, aqueles chiques todos dos escritórios vizinhos com seus jornaizinhos e esteiras dobráveis querendo aproveitar um pedacinho de sol, se espalhando pelo gramado, sabendo que estavam fazendo um errado. Dá vinte minutos e vem o bedel do jardim, apitando e mandando todo mundo pra fora. E todo mundo sai. E ele dá as costas e todo mundo volta. E assim sucessivamente.

Me lembra o filme do Nixon em cartaz num cinema perto de você, é o tipo do delito que você faz sabendo que está errado, mas que faz assim mesmo. O filme é cheio de frases ótimas, e essa não tem nada a ver com o assunto, mas é ótima também: o moço diz à moça que ela tinha que conhecer Praga, uma cidade linda, que parece Paris... com a vantagem de não ter os franceses! Acho que o cinema todo fez um grandessíssimo oooooooohhh nessa hora – mas não tenho certeza, porque eu mesma estava era rindo muito.

2 comentários:

Renato disse...

Um jardim em Paris fica mais legal na companhia de dois garotinhos espertos...

jana disse...

kkkkk. Muitíssimoengraçado mesmo. Os parisienses são terríveis, mas não sei se Paris seria Paris sem eles...